quarta-feira, 24 de junho de 2009

Crise do pánico

``Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.``
Sigmund Freud

Eu andei com crise de pánico, de achar que ia morrer em cada entrada na auto estrada, cada viagem de fim de semana, andei escolhendo sempre a melhor camisola para estar bem vestida quando fossem me encontrar pela manhã depois do meu enfarte cardíaco.

Para quem não teve nunca essa sensação o comentário parece exagerado ou comédia, para quem já teve entede que estou apenas simplificando o tal medo da crise.


Evitei sair para lugares novos e evitar programas. Se não fosse a saudade da familía eu nem teria pego avião esse ano.

Fazem mais de 3 anos que a minha academia tem sido colocar a roupa esporte e sair andando durante uma hora pelos bairros, cada vez e cada dia andando por ruas desconhecidas, e então me pequei evitando ruas que não conhecia pois de lá sairia um cachorro pitbul que me atacaria sem chances de defesa, ou um carro em alta velocidade que não me veria na rua por onde ninquém anda e que me atrevi a andar.

Olha que a tal crise já tem mil explicações cientificas- que as relaciona até com a mal alimentação e má disgestão dos rins.
Acho que o melhor remédio é ler Pablo Neruda e tentar me curar da morte...

Morre lentamente
(Pablo Neruda)

``Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe

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