``Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.``
Sigmund Freud
Eu andei com crise de pánico, de achar que ia morrer em cada entrada na auto estrada, cada viagem de fim de semana, andei escolhendo sempre a melhor camisola para estar bem vestida quando fossem me encontrar pela manhã depois do meu enfarte cardíaco.
Para quem não teve nunca essa sensação o comentário parece exagerado ou comédia, para quem já teve entede que estou apenas simplificando o tal medo da crise.
Evitei sair para lugares novos e evitar programas. Se não fosse a saudade da familía eu nem teria pego avião esse ano.
Fazem mais de 3 anos que a minha academia tem sido colocar a roupa esporte e sair andando durante uma hora pelos bairros, cada vez e cada dia andando por ruas desconhecidas, e então me pequei evitando ruas que não conhecia pois de lá sairia um cachorro pitbul que me atacaria sem chances de defesa, ou um carro em alta velocidade que não me veria na rua por onde ninquém anda e que me atrevi a andar.
Olha que a tal crise já tem mil explicações cientificas- que as relaciona até com a mal alimentação e má disgestão dos rins.
Acho que o melhor remédio é ler Pablo Neruda e tentar me curar da morte...
Morre lentamente
(Pablo Neruda)
``Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Amigos – encontros e desencontros
A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinícius de Moraes
Fui visitar recentemente a cidade que morei durante mais de 4 anos antes de vir morar aqui em Israel e acabei a visita com a impressão de ter desencontrado os bons amigos desses anos ( não que não tenha encontrado fisicamente).
Ainda estou para chegar aos 30, mas já pude passar pela experiência de morar em 4 lugares diferentes por alguns anos em cada um e de passar pelos encontros e desencontros com pessoas que cada um me propiciou.
Meu marido nasceu e viveu toda a sua vida ( pré-eu) na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma cidade, mesmo estado e mesmo país. Os amigos são todos da mesma idade, se conhecem desde os 3 anos, fizeram viagens sempre juntos, alguns se casaram entre si, e carregam sempre aquelas mesmas repetidas memórias nos encontros. ( Arg!). Ninquém se conheceu de forma inusitada, ou foram atraídos um pelos outros, e todos conhecem muito bem todos os pais, os tios e os avós de cada. Não são amigos que podem ser divididos, não foram nem amigos de fases ou nem de bares.
É claro que o lado dele tem suas grandes vantagens. Uma delas é os amigos não se perderem. Os de quem, como eu, muda de endereços, ficam por aí, soltos que nem passarinhos que voam e se encontram quando realmente querem se encontrar. Os dele se encontram em dias marcados, que se repetem que nem um calendário obrigatório, todos os anos.
Existem pessoas na vida que simplesmente tinham que se encontrar em certas circunstâncias, e mesmos passando pouco tempo juntos vão depois passar os momentos mais importantes da vida uns fazendo parte dos outros, seja na proximidade ou na distância.
Eu tenho a grande sorte de ter feito amigos que mesmo com a minha desastrosa relação com a comunicação- marcar de ligar e não cumprir, ou ficar meses sem escrever – não impediram que alguns deles continuem presentes nas melhores coisas que me passam. Encontrar com eles é sempre sem expectativas e acaba sendo sempre mágico.
E como tanta coisa que quero depois sempre comentar e escrever e mandar fotos, vou deixando para fazer com mais calma e fazer bem feito e acabo nao fazendo. E pensando nisso eu vejo quantas e quantas vezes isso se repetiu no meu dia a dia e quantas pessoas importantes acabam sem saber o quanto sao importantes para mim. Na verdade, eles devem saber, pois continuam aqui- além de algúns também não serem nenhum exemplo de frequência em comunicação- o que torna a amizade a distância ainda mais confortável. Quem disse que precisa colocar corrente nos amigos?
Só na hora que preciso, aí todos ligam, escrevem mandam todos os seus grandes sinais de presença. E vice-versa, NADA, vai me tira a disponibilidade de estar presente quando um desses precisa, é como se a coisa de repente fosse comigo, e é.
Mas como contava recentemente voltei da visita a cidade que sai fazem 3 anos e deixando amizades boas, e a saída dessa visita foi com a impressão de ter desencontrado os tais amigos. Nos encontramos, bebemos juntos, lembramos de nossas histórias juntos, troquei muitos abraços...mas fui embora sabendo que a grande parte daquelas amizades, boas enquanto duraram, ficaram nas ótimas lembranças. Sem mais vontade de nenhuma troca de email, como se tivessem validade expirada ( se é que dá para falar assim).
E meus amigos verdadeiros continuam, são aqueles especiais que se conta e que mesmo morando há mais de dez anos em lugares distantes, nossos pensamentos, preucupações, amores e amizades continuam, dando a certeza de nos trazer outros bons momentos juntos durante a vida, e sem a menor obrigatoriedade. Foram encontros certeiros na vida.
“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada; há os que deixam muito, mas há os que não deixam nada.
Esta, é a maior responsabilidade de nossa vida e prova evidente de que duas almas não se encontram por caso” (A. de Saint-Exupéry)
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Mais eu sou chata assim?

Umas das grandes contribuições dos tais filhos nas nossa vidas é a análise que eles fazem de nós mesmos, e da maneira mais direta, mostrando a própria genética e nossos gênios. Olha, é mais legal e custa a mesma coisa que fazer análise ( já que um analista você também sustenta por uns vinte anos).
Eu não dou o braço a torcer tão fácil nesse mundo. Tenho cabeça dura, personalidade forte e sei que muitas vezes fica longe de ser uma qualidade. Já perdi muita coisa, e continuo a perder por não saber reconhecer para os outros que estou errada- quando já estou mais do que convencida- ou que existe uma melhor opção a tomar do que a decidida antes.
E é nela, a menina que eu fiz e que hoje está com 4 anos que vejo todos os meus e seus( dela) defeitos, e só me comovi diante de uma grande e enorme pressão: fazer o pai dela parar de insistentemente aos choros e gritos da pequena tentar fazê-la admitir que ela estava errada em uma birra de criança.
- Para amor, para! Não adianta, olha como ela está chorando. Ela não vai falar que mudou de idéia, mas ela já mudou, eu sei, to vendo nos olhos dela.
- Mas ela ainda não falou.
- Ela não vai falar, desiste, para vai. Olha só o choro sufocante dela.
Não é culpa dela, é a minha personalidade, eu fazia a mesma coisa quando era criança, lembro de mil briga dessas com meus pais, é iqualzinho. To tendo um déjà vu.
- Não importa, ela tem que aprender a ver que está errada.
( Minha filha que durante uma meia hora insistia que o primo não poderia beber em um de seus copos coloridos, tinha como condição ir dar um dos copos para o menino, para então poder ir supermercado com o pai- coisa que ela tanto gosta).
- mas, ela já viu que ela está errada, você não tá vendo?
- Tá decidido ela fica aqui em casa.
Escutando o choro soluçado e tendo que ver aquele rostinho vermelho sofrido e desesperado por não saber ir lá dar o copo para o primo e entendendo na própria pele que por ela o menino já podia ficar com todos os copos- já era capítulo passado- ela só queria mesmo era fazer as pazes com o pai, abraçá-lo e ir ao supermercado colorido, eu resolvi dar o meu braço a torcer em uma confissão para que então o marido entedesse:
- Você não tá vendo? Ela tá fazendo o que eu faço quando nós brigamos! É iqualzinho. Sou eu falando para você: - pode decidir, faz o que você quizer. E muitas vezes também ao choro ( que nem minha minha filha manteiga derretida) sem saber admitir que mudei de idéia e concordei que a sua solução era a melhor...tantas vezes eu faço isso, mesmo sabendo que te irrita, eu não querendo te irritar eu não sei mesmo admitir o erro, você bem sabe...
Pronto, saiu naquele momento! pior do que um parto. Coisa que nem 1 ano e meio da cara terapia de casal tirou da minha boca.
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terça-feira, 23 de junho de 2009
Mulher familía!

''Todos temos nossas vidas pessoais, nossos trabalhos a construção de uma família e cada aspecto desses compõe o que entendemos como nossa existência. Paralelo a isso e de forma constante desenvolve-se toda a criação, que a princípio, parece mover-se de forma independente mas está ligada a tudo o que os seres humanos fazem de suas vidas, sendo de forma construtiva ou gerando energia de discórdia e destruição.''
É mesmo, a maioria continua optando pelo mesmo caminho. Vida pessoal + Trabalhos + Construção de uma familía = Existência!?
``Não precisamos fazer muito esforço para perceber que há algo muito errado no mundo. Guerras, desequilíbrio climático e desastres nos arrebatam constantemente. O que precisamos entender é que o mundo todo está em conflito, não pelas diferenças culturais ou ideológicas, mas porque esse conflito esta dentro de nós. Nosso desequilíbrio emocional, a falta de coerência entre nossas ações e pensamentos, faz de nós indivíduos em permanente contradição. Todo o universo se sustenta através do princípio de inter-inclusão, ou seja, o universo se desenvolve a partir de reações em cadeia. Portanto, o que percebemos como uma realidade em desarmonia é o reflexo de nosso interior, somos o foco de emanação e origem desse desequilíbrio.''
Era mais fácil ter ficado na vida de baladas, drinks e gatinhos...Guerras, desequilíbrio climático e desastres? All god, agora tem uma geração vindo depois de mim, será que não dá então para agora ficar só envolvida em comprar e criar os pequenos? Eu preciso mesmo lembrar que o mundo tá mal das pernas? Sei não.
''Quando compreendemos essa relação, descobrimos qual é o verdadeiro propósito da existência.''
Que relação? Eu e quem?
``Se quisermos mudar o mundo, precisamos mudar nosso interior, precisamos remover o conflito de dentro de nós. Para isso, primeiro precisamos mudar nossa consciência e ao fazê-lo nossa vida terá mais sentido.``
Mais sentido?
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