A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinícius de Moraes
Fui visitar recentemente a cidade que morei durante mais de 4 anos antes de vir morar aqui em Israel e acabei a visita com a impressão de ter desencontrado os bons amigos desses anos ( não que não tenha encontrado fisicamente).
Ainda estou para chegar aos 30, mas já pude passar pela experiência de morar em 4 lugares diferentes por alguns anos em cada um e de passar pelos encontros e desencontros com pessoas que cada um me propiciou.
Meu marido nasceu e viveu toda a sua vida ( pré-eu) na mesma casa, no mesmo bairro, na mesma cidade, mesmo estado e mesmo país. Os amigos são todos da mesma idade, se conhecem desde os 3 anos, fizeram viagens sempre juntos, alguns se casaram entre si, e carregam sempre aquelas mesmas repetidas memórias nos encontros. ( Arg!). Ninquém se conheceu de forma inusitada, ou foram atraídos um pelos outros, e todos conhecem muito bem todos os pais, os tios e os avós de cada. Não são amigos que podem ser divididos, não foram nem amigos de fases ou nem de bares.
É claro que o lado dele tem suas grandes vantagens. Uma delas é os amigos não se perderem. Os de quem, como eu, muda de endereços, ficam por aí, soltos que nem passarinhos que voam e se encontram quando realmente querem se encontrar. Os dele se encontram em dias marcados, que se repetem que nem um calendário obrigatório, todos os anos.
Existem pessoas na vida que simplesmente tinham que se encontrar em certas circunstâncias, e mesmos passando pouco tempo juntos vão depois passar os momentos mais importantes da vida uns fazendo parte dos outros, seja na proximidade ou na distância.
Eu tenho a grande sorte de ter feito amigos que mesmo com a minha desastrosa relação com a comunicação- marcar de ligar e não cumprir, ou ficar meses sem escrever – não impediram que alguns deles continuem presentes nas melhores coisas que me passam. Encontrar com eles é sempre sem expectativas e acaba sendo sempre mágico.
E como tanta coisa que quero depois sempre comentar e escrever e mandar fotos, vou deixando para fazer com mais calma e fazer bem feito e acabo nao fazendo. E pensando nisso eu vejo quantas e quantas vezes isso se repetiu no meu dia a dia e quantas pessoas importantes acabam sem saber o quanto sao importantes para mim. Na verdade, eles devem saber, pois continuam aqui- além de algúns também não serem nenhum exemplo de frequência em comunicação- o que torna a amizade a distância ainda mais confortável. Quem disse que precisa colocar corrente nos amigos?
Só na hora que preciso, aí todos ligam, escrevem mandam todos os seus grandes sinais de presença. E vice-versa, NADA, vai me tira a disponibilidade de estar presente quando um desses precisa, é como se a coisa de repente fosse comigo, e é.
Mas como contava recentemente voltei da visita a cidade que sai fazem 3 anos e deixando amizades boas, e a saída dessa visita foi com a impressão de ter desencontrado os tais amigos. Nos encontramos, bebemos juntos, lembramos de nossas histórias juntos, troquei muitos abraços...mas fui embora sabendo que a grande parte daquelas amizades, boas enquanto duraram, ficaram nas ótimas lembranças. Sem mais vontade de nenhuma troca de email, como se tivessem validade expirada ( se é que dá para falar assim).
E meus amigos verdadeiros continuam, são aqueles especiais que se conta e que mesmo morando há mais de dez anos em lugares distantes, nossos pensamentos, preucupações, amores e amizades continuam, dando a certeza de nos trazer outros bons momentos juntos durante a vida, e sem a menor obrigatoriedade. Foram encontros certeiros na vida.
“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada; há os que deixam muito, mas há os que não deixam nada.
Esta, é a maior responsabilidade de nossa vida e prova evidente de que duas almas não se encontram por caso” (A. de Saint-Exupéry)
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